5)Na detecção de animais que irão desenvolver doenças de início tardio: para doenças recessivas,

o que são e para que servem cruzamentos consanguíneos

        O cruzamento consanguíneo, ou entre parentes, é uma ferramenta utilizada em diversas situações da criação, uma vez que pode trazer resultados satisfatórios já aparentes em somente uma geração de reprodução. No entanto, a consanguinidade nem sempre traz à tona o efeito esperado, e pode, muitas vezes, ser bastante arriscada. Desta forma, é muito importante que o criador saiba avaliar qual será o efeito mais provável de um cruzamento consanguíneo, de maneira a atingir os resultados desejados, e diminuir a chance de problemas na ninhada.

        Em primeiro lugar, é importante lembrar que a crença de que “somente com algum grau de consanguinidade é possível melhoramento genético” é um mito. Sem dúvida alguma, o cruzamento entre animais com algum grau de parentesco é interessante nas primeiras gerações de criação da maioria das raças, pois diminui o número de gerações em que se espera atingir a homogeneidade fenotípica que caracteriza animais como pertencentes à mesma raça. No entanto, após a raça ter sido estabelecida, será possível atingir melhoramento genético sempre que se escolher bons reprodutores e estes podem ser da mesma linha de sangue ou não. Se o criador tiver acesso a um casal onde cada um venha de uma linhagem excelente, qual seria o motivo para a prole não ser superior? A grande questão aqui é que, dependendo da raça, a variabilidade já é tão baixa, que é muito difícil encontrar duas ou mais linhas de sangue superiores, e o criador acaba sendo obrigada a realizar cruzamentos dentro da mesma família superior para atingir seu objetivo. Mas isto não ocorre sempre para todas as raças.

        Na prática da criação, muitos já conseguiram produzir ninhadas superiores fenotipicamente, quando algum grau de consanguinidade é utilizado. Isto realmente pode ocorrer, mas não é a regra: a consanguinidade não irá trazer novas características para a ninhada, mas manter ou até exacerbar características já presentes nos pais. Assim, cruzamentos consanguíneos só serão bem-sucedidos se o casal for corretamente escolhido. Do contrário, podem trazer ninhadas tão comuns como qualquer outra.