5)Na detecção de animais que irão desenvolver doenças de início tardio: para doenças recessivas,

tipos de cruzamentos consanguíneos:

inbreeding e linebreeding

       Com relação ao tipo de cruzamento consanguíneo, é importante lembrar que existe uma grande variação de nomenclatura e conceitos, o que gera grande confusão quando diferentes criadores falam do mesmo assunto. Desta maneira, para tornar mais fácil o entendimento, neste texto serão utilizados os seguintes conceitos:

        Inbreeding: cruzamento de dois animais com grau de parentesco próximo, que tenham um ou mais ancestrais em comum (ex: dois irmãos, que possuem pai e mãe em comum; dois meio-irmãos que possuem pai OU mãe em comum; primos, que possuem algum ou alguns avos em comum). Veja exemplos na figura 2. Alguns criadores denominam inbreeding qualquer tipo de cruzamento de parentes muito próximos, mas este não é o conceito que será utilizado aqui.

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Figura 2: exemplos de cruzamentos consanguíneos do tipo inbreeding. Onde as cores se repetem, indicam que o animal é o mesmo. a) cruzamento de dois irmãos completos; b) cruzamento de dois meio irmãos; c) cruzamento de dois primos em 2o grau por parte da bisavó 1.

         Linebreeding: cruzamento de dois animais que podem ter grau de parentesco próximo ou não, mas que utiliza da repetição de um mesmo cão superior em diferentes gerações (ex: a utilização de um cão como pai e ao mesmo tempo avô materno da ninhada; ou a utilização de um cão como bisavô materno e como pai da ninhada). Veja exemplos na figura 3. Alguns criadores denominam linebreeding qualquer tipo de cruzamento de parentes distantes, mas este não é o conceito que será utilizado aqui.

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Figura 3: exemplos de cruzamentos consanguíneos do tipo linebreeding. Onde as cores se repetem, indicam que o animal é o mesmo. a) cruzamento onde o pai e o avô materno da ninhada são os mesmos; b) cruzamento onde o pai e um dos bisavôs por parte de mãe são os mesmos; c) cruzamento onde o avô, um dos bisavôs paternos e um dos bisavôs maternos são os mesmos. 

      Importante também determinar o conceito de crossbreeding, que não é um cruzamento consanguíneo, mas sim o cruzamento de dois cães que, apesar de  não serem parentes, cada um foi produzido através de consanguinidade. Algumas vezes este termo é confundido com o termo outcrossing que é o cruzamento de animais de duas raças diferentes, ou outbreeding que é o cruzamento de dois animais sem nenhum grau de parentesco em mais de cinco ou seis gerações,  animais estes que não tenham sido originados de consanguinidade.

        Com relação às vantagens de cada um dos cruzamentos, se aceita que o linebreeding em geral é mais vantajoso do que o inbreeding. O motivo para isto é por que na maior parte dos casos de inbreeding existe mais de um ancestral em comum (veja exemplo na figura 2a, um caso clássico de inbreeding) e, portanto, não existe como controlar qual genética está sendo acumulada no filhote tornando o resultado mais imprevisível – podendo ser bom ou não. Infelizmente, muitos criadores utilizam inbreeding unicamente por motivos econômicos: não querem investir na procura de um animal sem parentesco. Quando este for o único motivo do inbreeding, os riscos inerentes ao processo terão mais chance de se sobressair às possíveis vantagens, já que o mesmo não está sendo realizado seguindo critérios importantes na criação, a não ser o critério econômico. Diferente do inbreeding, o cruzamento consanguíneo denominado de linebreeding se utiliza (ou deveria se utilizar) da repetição de somente um animal, sendo mais fácil controlar que a ninhada terá uma composição genética superior deste animal específico. Inclusive, a maneira mais controlada de se estabelecer realmente uma linha de sangue é através do linebreeding, pois esta linha é caracterizada pela intensa participação genética deste animal.

        Para entender porque a realização de linebreeding provoca o aumento da constituição genética de um ancestral no filhote em questão, é interessante lembrar da regra mais básica da genética: a cada geração, a genética do “ancestral foco” cai pela metade. Assim, filhos de um cão “X” de interesse terão 50% de sua genética, seus netos 25%, seus bisnetos 12,5% e assim por diante, de maneira que a genética desejada vai sendo diluída. No linebreeding este animal “X” é utilizado novamente como reprodutor em gerações subsequentes, sendo cruzados com filhas, netas, bisnetas, e assim por diante, de maneira que a genética de interesse é mantida. Quanto maior sua utilização, menor será a diluição de sua genética com a passagem das gerações. Por este motivo se diz que o linebreeding nada mais é do que inbreeding com seleção, e como a cada geração o mesmo ancestral é utilizado, a seleção é voltada para ancestrais.  A questão central à qual o criador deve prestar muita atenção neste ponto é: é realmente possível determinar que este cão selecionado para o linebreeding é superior? Quanto maior correto o criador estiver com relação à esta escolha, mais bem sucedido será o processo e melhor será esta linha de sangue.

        Determinar a superioridade genética de um animal não é uma tarefa simples, pois raramente a mesma é resultado somente da aparência do animal. É por este motivo que os linebreeding´s de maior sucesso ocorrem quando a linha de sangue é iniciada após este cão de interesse já ter tido um grande número de filhos, já que muitos filhos também superiores indicam com um grau muito maior de certeza que um cão é superior geneticamente. Esta é a maior dificuldade no estabelecimento de uma linha de sangue de sucesso: quando esperar para inicia-la? Deve existir um equilíbrio entre iniciar o linebreeding com o cão jovem demais, e com pouca informação sobre ele (mas assim poder utilizá-lo por muito tempo para fortalecer esta genética na linha) ou aguardar o mesmo ter muitos filhos e, portanto, mais informações (mas então poder utilizá-lo em poucas gerações de linebreeding). Assim, o melhor conceito de linebreeding é o de que “é uma forma de inbreeding direcionada à um animal cuja superioridade já é conhecida (através dos resultados de seus filhos), e que manterá a prole deste animal, nas gerações seguintes, relacionada geneticamente a ele mesmo”.   Assim, a relação à um ancestral escolhido é a principal característica que diferencia “linebreeding” de “inbreeding”.

        Já o crossbreeding se trata de uma ferramenta extremamente interessante, tanto para aumentar chance de ninhada superior, como para diminuir a chance de problemas genéticos inerentes às linhas de sangue utilizadas. Neste tipo de cruzamento são utilizados macho e fêmea de diferentes linhas de sangue, mas resultantes de pronunciada consanguinidade, o que faz com que ambos possuam elevada prepotência. A avaliação das qualidades externas destes animais irá auxiliar em suas escolhas como reprodutores, mas a vantagem de utilizá-los é que a chance destas qualidades passarem para a ninhada é muito maior, devido à prepotência. Como se tratam de animais de diferentes linhas, é provável que tenham qualidades diferentes, que irão se complementar na formação da ninhada. É importante lembrar que a repetição das características de cada animal da ninhada irá ocorrer de maneira muito mais pronunciada neste tipo de cruzamento do que no outbreeding (cruzamento sem consanguinidade).

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o que são e para que servem cruzamentos consanguíneos

vantagens da consanguinidade

tipos de cruzamentos consanguíneos: inbreeding e linebreeding

coeficiente de consanguinidade – COI

- relação entre COI x prepotência

- relação entre COI x inbreeding e       linebreeding

cuidados e limitações no cálculo do COI

desvantagens da consanguinidade

como aumentar a segurança em cruzamentos consanguíneos