5)Na detecção de animais que irão desenvolver doenças de início tardio: para doenças recessivas,

as desvantagens da consanguinidade

        Após discutir sobre tipos, limitações e benefícios dos cruzamentos consanguíneos, é de extrema importância lembrar que este tipo de reprodução envolve, na grande maioria das vezes, riscos para a ninhada. Todos estes riscos estão relacionados ao fato de, no cruzamento entre parentes, o criador estar provocando o nascimento de animais com mais genes homozigotos que seus ancestrais. Veja abaixo o efeito prático do aumento de genes homozigotos nas criações:

Surgimento de doenças recessivas, cujas mutações estavam “escondidas” nas famílias.

 

      Um exemplo é o colapso induzido pelo exercício, relativamente comum no labrador. Nesta raça, a frequência de animais heterozigotos (“Aa” e saudáveis) é de 24%. Se o criador realiza um cruzamento de animais de famílias diferentes, é raro que ambos animais sejam portadores, e por isto, será raro o nascimento de um filhote homozigoto (“aa” e, portanto, afetado). Por outro lado, se ocorre o cruzamento entre animais da mesma família, será muito mais fácil que ambos animais sejam portadores (Aa), aumentando assim a chance de filhotes doentes (aa). Para doenças raras, como por exemplo a doença de Von Willebrand, menos de 5% dos animais das raças afetadas são heterozigotos (“Aa”), o que torna a diferença de chance de nascimento de filhotes doentes, em um cruzamento consanguíneo, ainda mais pronunciada.

Diminuição do tamanho da ninhada:

 

     Diversos estudos internacionais já detectaram, em diferentes raças, a relação entre aumento de consanguinidade e diminuição do tamanho da ninhada. Esta relação não é total, mas sim uma tendência de que em casais com alta consanguinidade as ninhadas sejam menores. Este fato não tem relação com a produção de espermatozoides ou óvulos: o número de gametas produzidos pode ser o mesmo que em qualquer outro animal. A causa disto acontecer é que após acontecer a fecundação dos diversos óvulos, e formados os embriões, em ninhadas com alta consanguinidade, alguns embriões serão homozigotos para mutações recessivas graves, que impedem o embrião de crescer. Um embrião que não se desenvolve é reabsorvido pelo útero materno, um evento que quando ocorre no início da gestação, não é detectado. Portanto, o número de embriões que efetivamente se desenvolve, e chega a nascer, é menor.

Diminuição da expectativa de vida:

     Algumas mutações só influenciam a saúde do animal idoso. Um grande exemplo disto é a mutação que aumenta a chance para a mielopatia degenerativa, chamada SOD1A. Cães homozigotos para esta mutação tem mais chance de ter a doença, e  morrer mais cedo que a média da raça. Como homozigotos são mais comuns quanto maior o grau de consanguinidade, a relação fica explicada.

Aumento de doenças relacionadas ao sistema imunológico:

 

    O sistema imunológico de um animal é mais eficiente quanto maior for o número diferente de respostas imunes que o mesmo é capaz de desencadear. Se imaginarmos que a resposta imunológica de um cão depende de 100 genes, caso o mesmo for heterozigoto em todos eles, será capaz de produzir 200 proteínas diferentes (duas diferentes para cada gene). Já um animal que é homozigoto para todos estes genes, é capaz de produzir somente 100 proteínas diferentes. Ou seja, este cão tem uma capacidade imunológica diminuída. Como a consanguinidade aumenta o número de genes homozigotos, cães resultantes de excessivos cruzamentos consanguíneos têm também mais chance de terem alergias e outros problemas relacionados ao sistema imunológico.

Aumento de casos de câncer:

 

Apesar de muito se falar sobre o papel da ração relacionada ao câncer, não existe nem um único trabalho na literatura científica que comprove esta relação. Ao contrário, está comprovado que a consanguinidade está relacionada a maior predisposição ao câncer, uma vez que o animal possui uma variabilidade genética muito menor, necessária para combater a doença. Animais homozigotos para muitos “genes relacionados ao combate do câncer” possuem mais chance de que o organismo não detecte o tecido tumoral, deixando-o se desenvolver.

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cruzamentos consanguíneos