DERMATOMIOSITE

O criador responsável...

...avalia todos os animais e não reproduz cães diagnosticados com dermatomiosite 

Antes de escolher seu filhote, converse com o criador sobre a possibilidade de histórico da doença na família do filhote

COMO DETECTAR O CRIADOR QUE TRABALHA PARA DIMINUIR O NASCIMENTO DE ANIMAIS QUE DESENVOLVAM A DOENÇA?

Muito cuidado com o criador que ...

......não realiza nenhum tipo de avaliação clínica de saúde, cruzando os animais de maneira aleatória, inclusive os que tem a doença. Este tipo de criador tira várias crias disseminando a predisposição genética no seu plantel.

Vocé é criador, já trabalha da maneira proposta para prevenir o problema, mas quer fazer mais?

  Parabéns!

Informe-se aqui,

ou

entre em contato conosco! 

Descrição da dermatomiosite:

            A dermatomiosite familiar (DMF) canina é uma doença inflamatória rara e multifatorial que pode causar alterações na pele e na musculatura do animal. Sua causa ainda não é totalmente conhecida, porém suspeita-se que esteja relacionado com o sistema imunológico, e o alvo primário seja o endotélio capilar (células da parte interna dos vasos sanguíneos). A  doença nos vasos leva à deficiência de oxigênio e nutrientes para os tecidos, gerando os sinais cutâneos e musculares observados na DMF. Acredita-se que a predisposição genética seja seguida de um gatilho desencadeador (o qual poderia ser vacinas, medicamentos, exposição solar, infecções virais ou toxinas) que desencadeia a ação do sistema imunológico, e os consequentes sinais clínicos.

            Os sinais clínicos podem variar e regredirem ou progredirem no decorrer do caso. As alterações na pele não são pruriginosas, ou seja, o cão não manifesta coceira. Podem ser observadas áreas sem pelo, avermelhadas, descamativas, com aspecto de cicatrizes e até com ulcerações. Os locais mais comumente acometidos são partes do corpo expostas a trauma mecânico e ao redor dos olhos, próximo ao nariz, ponta da orelha e da cauda, e extremidade dos membros. Eventualmente podem ser observadas alterações nas unhas, como deformidades, quebra ou descamação e até mesmo queda.

            Cães com apresentações brandas da doença podem não apresentar sinais musculares ou estes podem ter início meses após a identificação das alterações cutâneas. Assim como na pele, os sinais musculares são variáveis. Pode-se observar atrofia muscular bilateral simétrica dos músculos mastigatórios, levando à dificuldade para comer e beber, ou generalizada, se manifestando como fraqueza, letargia ou alteração na marcha. Interessante observar que em alguns cães a única observação pode ser a presença de alimento na vasilha de água (decorrente da deglutição incompleta), enquanto em outros, a fraqueza muscular poderá causar dificuldade intensa para ingestão de água e alimento, megaesôfago e pneumonia por aspiração.  

            Não há predisposição sexual e a maioria dos cães acometidos manifesta os sinais clínicos ainda filhotes, usualmente antes de seis meses. A progressão da doença pode variar, afetando de forma diferente animais de uma mesma ninhada, e a gravidade do quadro pode ser determinada, usualmente, por volta de um ano de idade. É raro um cão manifestar os primeiros sinais já adulto. É possível observar histórico familiar da doença em cães das raças Collie, Pastor de Shetland, Beauceron, Tervuren e Cão d'Água Português. A doença já foi relatada em Welshi Corgi, Lakeland Terrier, Chow Chow, Pastor Alemão, Kuvasz, Jack Russel Terrier, Rottweiler e SRD (sem raça definida), porém a base familiar nesses cães não está comprovada, sendo denominada de doença semelhante à dermatomiosite (dermatomyositis-like disease).

           Cães com forma branda de DMF não requerem tratamento específico, pois geralmente apresentam resolução espontânea das lesões de pele. Áreas sem pelo, escurecidas e de aspecto cicatricial podem permanecer em regiões de lesões mais graves, porém tem impacto apenas estético. Visto que traumas e exposição solar prolongadas podem agravar o quadro, o veterinário pode prescrever medidas de manejo para reduzir estes fatores. Já para animais com apresentações moderadas pode ser necessário instituir terapia com vitamina E, ômega 3, corticosteroides e pentoxifilina. Cabe ressaltar que, embora historicamente recomendada, poucos estudos avaliaram o mecanismo de ação da pentoxifilina em cães. Em casos severos, a dificuldade de locomoção e de ingestão de alimento e água impactam a qualidade de vida do paciente. Doses maiores das medicações podem trazer efeitos colaterais indesejados e complicações, como pneumonia aspirativa, fazem com que eutanásia possa ser recomendada.

  

Diagnóstico da dermatomiosite:

           Para realizar o diagnóstico de DMF o veterinário combina informações do histórico, sinais do paciente e exames complementares, como biopsias de pele e músculo, e eletromiografia. Exame dermatológicos de rotina, como o parasitológico de pele e a citologia cutânea, são importantes para descartar doenças que podem causar sinais cutâneos semelhantes, como sarna demodécica e infecção bacteriana. Exames de sangue normalmente não apresentam alterações.

              Cães acometidos com DMF, independentemente da gravidade da doença, não devem ser utilizados na reprodução.

Para saber mais...

BACKEL, C. A. et al. Canine ischaemic dermatopathy: a retrospective study of 177 cases (2005–2016). Veterinary Dermatology, Oxford, v. 30, n. 5, p. 403-e-122, July 2019.

- EVANS, J. M. et al. Beyond the MHC: A canine model of dermatomyositis shows a complex pattern of genetic risk involving novel loci. PLoS genetics, San Francisco, v. 13, n. 2, Feb. 2017.

- UPEI - University of Prince Island: https://cidd.discoveryspace.ca/disorder/dermatomyositis-and-ulcerative-dermatosis.html

Colaboração: Daniela Flores Fernandes, Médica Veterinária (CRMV 10875).

Graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com residência no HCV- UFRGS, mestrado e doutorado em Ciências Veterinárias (PPGCV-UFRGS), com ênfase em Dermatologia Veterinária. Professora de disciplinas de Clínica de Pequenos Animais na UniRitter, Porto Alegre.

5)Na detecção de animais que irão desenvolver doenças de início tardio: para doenças recessivas,