A DISPLASIA COXOFEMORAL

COMO DETECTAR O CRIADOR QUE TRABALHA PARA DIMINUIR O NASCIMENTO DE ANIMAIS QUE DESENVOLVAM DISPLASIA?

Antes de mais nada ... 

... você deve saber que a displasia coxofemoral possui características distintas no Bulldog, que tornam extremamente difícil o seu controle efetivo. Assim, ao adquirir um cão desta raça, mesmo que seja do melhor criador, você deve estar preparado para ter um cão displásico, especialmente na fase da maturidade ou ao longo do envelhecimento. 

 

A displasia no Bulldog tem controle ainda mais difícil porque:

 

1) a prevalência de raios X correspondentes à displasia é altíssima (mais de 70% - leia abaixo como a articulação é classificada através do raio X), tornando muito difícil encontrar cães que seriam indicados para reprodução, seguindo os critérios de outras raças

2) classificações ruins da articulação através do raio X nem sempre correspondem aos sinais clínicos, fazendo com que o problema fique ainda mais "mascarado"  do que em outras raças

 

3) especialmente no Brasil, devido aos fatores assinalados acima, é muito raro encontrar um criador que radiografe seus cães antes a reprodução  

No entanto, sem controle algum o risco da doença se agravar ao longo das gerações é ALTO!!!

E o risco de nascerem filhotes que tenham SIM sinais clínicos graves aumenta a cada geração!!!

Descrição da displasia coxofemoral:

   A displasia coxofemoral é definida como um desenvolvimento anormal da articulação do quadril, uma doença multifatorial, desencadeada por uma predisposição genética. É uma doença progressiva (piora com o tempo) e que leva à alteração articular conhecida como osteoartrose. Os cães podem apresentar sinais clínicos desde novos (com alguns meses), ou somente mais tarde quando já são idosos. Os sinais dependem do grau da doença e da resistência à dor de cada cão. Os mais fáceis de serem observados são dificuldade em se levantar, mudança na postura devido a dor (sentar com os joelhos para dentro, afastar ou juntar os pés quando em estação), incapacidade de ficar de pé somente nas patas de trás, deixar de fazer atividades que antes eram comum (como subir na cama), claudicação após o exercício, andar cambaleante (rebolar), entre outros.

Diagnóstico da displasia coxofemoral:

A avaliação é feita com radiografias da articulação coxofemoral (quadril) com sedação, também conhecido por "laudo de displasia", que deve ser feita a partir dos 2 anos de idade. É possível realizar uma avaliação prévia aos 18 meses, pois se houver a doença será possível perceber antes mesmo da idade de 24 meses onde se emite o laudo definitivo. No entanto, para a correta emissão de laudo, é imprescindível que seja realizado o laudo definitivo na idade correta. Após a avaliação radiográfica, no Brasil, o veterinário especializado emite um laudo com a classificação do animal, que varia entre excelente /boa (A), razoável/limítrofe (B) (deve-se realizar outra radiografia em 6 meses) para animais sadios e, para animais displásicos leve (C), moderada (D) ou grave (E).

Veja alguns dados da  Associação de Ortopedia Animal (OFA), dos Estados Unidos, sobre cruzamentos e resultados nas ninhadas:

A tabela* ao lado demonstra dados de um estudo da OFA (EUA), que avaliou resultados de RX de 444.451 cães de diversas raças. Esta tabela demonstra a proporção de animais com displasia a partir de cada tipo de cruzamento:

*tabela adaptada da 5ª edição do texto “The use of health databases and selection breeding – a guide for dog and cat breeders and ouwners”, de Greg Keller, DVM, MS, DACVR (Orthopedic Foundation for Animals, Inc.), disponível aqui

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O que fazer no

Bulldog então?

  • Radiografar na idade adequada todos animais antes da reprodução

  • Diferente das outras raças, NÃO retirar da reprodução cães com laudos C e D, já que os mesmos são muito numerosos

  • Para cães com laudos C e D, escolher para formar um casal, cães com laudos MELHORES (B ou C, respectivamente)

  • Só reproduzir cães com laudos E em casos absolutamente excepcionais, e com cães com o melhor laudo possível (B ou A)

Não radiografar pode estar provocando:

casais E x E: aumentando muito a chance de filhotes com raios X laudo "E", e com sinais clínicos

a cada geração, um aumento da "carga genética para displasia coxofemoral!

Colaboração: Alessandra Ventura, Médica Veterinária, Mestre e Doutora em Ciências Veterinárias – ênfase em Ortopedia. Especialização em Clínica e Cirurgia de pequenos animais, pelo Instituto Qualittas. Membro ativo da AOVET.  Professora e coordenadora do curso de Pós-Graduação em Ortopedia e Traumatologia Veterinária no Instituto Brasileiro de Medicina Veterinária.