5)Na detecção de animais que irão desenvolver doenças de início tardio: para doenças recessivas,

Comparando níveis de consanguinidade em cães e cavalos

por Carol Beuchat, PhD, do Institute of Canine Biology - EUA, em 03/01/2017

Texto original em: 

https://www.instituteofcaninebiology.org/blog/comparing-inbreeding-of-dogs-and-horses

         A consanguinidade é uma parte do processo de formação de raças em animais domésticos, e é utilizada para produzir homozigosidade em genes com maior influência em traços de tipo e características típicas das raças. No entanto a consanguinidade é também a culpada por altas taxas de doenças genéticas em cães de raça. Mas o nível de consanguinidade em cães de raça é mais alto que em raças de outros tipos de animais domésticos? Quanta consanguinidade é necessária para produzir uma raça de animal doméstico?

 

            Primeiramente, precisamos definir “raça”. Podemos pegar como uma definição geral a de que são animais em um grupo específico que possuem um conjunto de características reconhecíveis que os fazem únicos e diferentes de outras raças e que são reprodutíveis em seus filhotes. Esta definição se aplica tanto para raças que são estritamente “raças puras” (isto é, reproduzidas dentro de um conjunto gênico fechado), como para raças nativas.

 

            Em minha postagem prévia (Inbreeding of purebred dogs determined from DNA), eu  apresentei um sumário dos níveis médios de consanguinidade em cães de raça, tirados de uma compilação publicada recentemente utilizando medidas diretas de DNA (Dreger et al 2016). Estes dados mostram que a maioria das raças de cães possuem alta consanguinidade, com valores médios que excedem o nível de consanguinidade de cruzamentos de meio-irmãos (12,5%). De fato, mais que metade das raças tem coeficientes de consanguinidade médios maiores de 25%, igual ao cruzamento de irmãos inteiros, vindos de pais não relacionados. Isto significa que para muitas raças, a maior parte dos cruzamentos envolve um padreador e uma matriz que são mais similares geneticamente que irmãos inteiros.

 

             A questão que nós queremos perguntar é se os níveis de consanguinidade que são típicos de cães de raça são similares àqueles de outros animais domésticos. Para abordar esta questão, eu usei dados de um artigo que documentou níveis de consanguinidade em aproximadamente 40 raças de cavalos (Petersen et al 2013) utilizando os mesmos métodos usados para dados de cães (isto é, heterozigosidade de milhares de marcadores genéticos do tipo SNP). As raças equinas incluídas foram desde raças modernas de corrida, a raças com históricos de centenas de anos, e até mesmo raças nativas.

 

              Eu plotei estes dados nos mesmos eixos de gráficos que eu usei para dados de cães, e fiz gráficos separados para demonstrar os níveis médios e os níveis máximos de consanguinidade para cada raça de cavalo (infelizmente, os valores máximos não estão disponíveis para os dados de cães). Nestes gráficos, eu incluí linhas de referências para níveis de consanguinidade de 6,25% (em verde; o resultado de cruzar primos irmãos ou de 1º grau), 12,5% (em amarelo; cruzamento de meio-irmãos), e 25% (em vermelho; cruzamento de irmãos inteiros).

Abaixo, três gráficos são demonstrados. No primeiro estão os dados de cães, usando o mesmo gráfico que apresentei em meu post anterior, porém virado horizontalmente de maneira que seja mais fácil comparar com dados de cavalos (veja este post para uma versão maior e vertical deste gráfico). Logo após o gráfico para cães, estão dois gráficos para cavalos: um com o coeficiente médico de consanguinidade para cada raça (comparável aos dados de cães) e o segundo com os valores máximos. 

Coeficientes de consanguinidade de cães:

(dados de Dreger et al, 2016; do post anterior Inbreeding of purebred dogs determined from DNA)

Coeficientes de consanguinidade de cavalos: 

(dados de Petersen et al 2013)

(no primeiro, são demonstradas as médias; no segundo, os valores máximos)

      Em cavalos, somente uma raça (Clydesdale) tem níveis de consanguinidade excedendo os 25% (linha vermelha superior), enquanto em comparação, aproximadamente 75% das raças caninas tiveram estes valores maiores de 25%. A consanguinidade é mais baixa de 12,5% (amarelo) em aproximadamente metade das raças equinas, enquanto somente uma mão cheia de raças caninas têm este valor baixo.

       Em cavalos, até os valores máximos de consanguinidade superiores a 25% ocorreram em somente 1/3 das raças (linha vermelha do segundo último gráfico).

 

Estes dados demonstram evidências convincentes de que a consanguinidade é muito maior em cães do que seria necessário para produzir uma população de animais com a similaridade de traços necessária para ser considerada uma “raça”.

Referências:

Dreger DL, M Rimbault, BW Davis, A Bhatnagar, HG Parker, & EA Ostrander. 2016. Whole genome sequence, SNP chips and pedigree structure: building demographic profiles in domestic dog breeds to optimize genetic trait mapping. http://dmm.biologists.org/lookup/doi/10.1242/dmm.027037.

Petersen JL, JR MIckelson, EG Cothran, and others. 2013. Genetic diversity in the modern horse illustrated from genome-wide SNP data. PLoS One 8(1): e54997. doi:10.1371/journal.pone.0054997.