5)Na detecção de animais que irão desenvolver doenças de início tardio: para doenças recessivas,

DOENÇA    DO    DISCO     INTERVERTEBRAL

(hérnia de disco)

O criador responsável...

...realiza RX de coluna de qualquer animal, antes de reproduzi-lo, e nunca reproduz um animal que tenha hérnia de disco.  

Antes de escolher seu filhote, solicite uma cópia dos laudos dos pais da ninhada, assinados por um veterinário, e converse com seu médico de confiança sobre os laudos.

COMO DETECTAR O CRIADOR QUE TRABALHA PARA DIMINUIR O NASCIMENTO DE ANIMAIS QUE DESENVOLVAM A DOENÇA DO DISCO INTERVERTEBRAL?

Muito cuidado com o criador que ...

......não realiza nenhum tipo de avaliação clínica ou radiográfica de seus animais, cruzando os animais de maneira aleatória, inclusive cruzando dois animais que tenham problemas sérios de coluna. Como é muito comum um cão não apresentar sinais clínicos, especialmente quando jovem, este criador tira várias crias disseminando e aumentando o problema em filhotes. 

A doença do disco intervertebral ou hérnia de disco:

        A doença do disco intervertebral (DDIV), popularmente conhecida como hérnia de disco, é muito frequente na clínica de pequenos animais, onde os discos intervertebrais podem sofrer calcificação/degeneração ou ruptura, que resultam na compressão da medula espinhal. A etiologia da doença é multifatorial, envolvendo genes e fatores ambientais. Dentre os fatores ambientais encontram-se subir e descer escadas, piso liso, utilização de coleiras e/ou enforcadores, etc. No entanto, os mesmos só terão importância em animais com predisposição genética.

          Os pacientes podem apresentar sinais clínicos como:  dor a palpação da coluna, desequilíbrio, não conseguir caminhar ou caminhar com certa dificuldade, fraqueza das patinhas, alteração de resposta dos reflexos espinhais, disfunção urinária e/ou disfunção fecal. Ao longo de toda a coluna, as regiões torácica e lombar são aquelas mais acometidas pelo problema.

         Na consulta com o neurologista veterinário, o mesmo irá realizar um exame neurológico e graduará os sintomas do cão de acordo com uma tabela que varia de 1 a 5, onde grau 1 o animal apresenta apenas dor, mas continua caminhando normalmente, até a grau 5, que é o mais grave, no qual o animal está paralisado e sem sensibilidade nas patas. O tratamento a ser realizado pelo Neurologista Veterinário vai depender do grau que o cão se encontra, podendo ser um tratamento clínico conservador a base de analgésicos, anti-inflamatórios e repouso absoluto (grau 1 e 2 normalmente) ou uma cirurgia descompressiva para retirada do disco calcificado (grau 3 para cima).

           Uma hérnia de disco pode paralisar o Dachshund e ser irreversível. Para obtermos melhores resultados, a cirurgia descompressiva é a técnica de escolha para animais que tenham parado de caminhar. A fisioterapia no período pós-operatório ajuda bastante na recuperação dos movimentos.

Hérnia de disco e criação

        Em países nórdicos (Dinamarca, Finlândia e Noruega) a triagem para visualização de calcificações de disco em Dachshund tem sido amplamente recomendada, onde o protocolo inclui radiografias de toda coluna na faixa etária de dois a quatros anos idade. Este protocolo é utilizado por mais de uma década na Finlândia.

   A calcificação e o risco para hérnia de disco são classificadas de acordo com o número de discos afetados, onde o animal é livre se não tiver calcificação, risco leve se tiver até duas calcificações, risco moderado até quatro calcificações e risco grave onde tiver mais que cinco calcificações.

      No Brasil, não temos legislação e também não é cultural por parte dos criadores a avaliação destes animais antes do cruzamento. Portanto, tomemos como exemplo estes países e sejamos mais exigentes com os criadores desta raça tão especial. Alguns aspectos que devem ser considerados pelo criador antes da reprodução:

  • Antes do cruzamento realizar radiografia de seus cães (entre 2 e 4 anos);

  • Não reproduzir animais que já apresentaram crises de coluna;

  • Retirar da reprodução cães que apresentem mais de 5 calcificações de disco ao longo da coluna vertebral.

       Tomadas todas estas medidas de precaução, não se tem garantia que a doença não pode ocorrer em um filhote com pais saudáveis que não possuem calcificação de disco, mas reduzirá bastante a chance de ele ter no futuro.

No Brasil, a prática da enorme maioria dos criadores é a de não avaliar a coluna de seus cães, antes da reprodução. No entanto, isto só contribui para a piora do quadro ao longo das gerações.

Ainda assim, alguns criadores avaliam os RX de coluna de seus animais. 

SE VOCÊ GOSTA DESTA RAÇA, PROCURE UM CRIADOR QUE TRABALHE DESTA FORMA, VALORIZANDO ESTE TIPO DE CRIAÇÃO.

Mas lembre-se: não existe nenhuma garantia que cães que passaram por esta avaliação produzirão filhotes com colunas adequadas. No entanto, criar desta maneira irá, a longo prazo, diminuir gradativamente o problema. 

O diagnóstico da hérnia de disco

        Somente um Médico Veterinário, especialista em Neurologia, pode realizar um exame neurológico e analisar exames de imagem complementares para diagnosticar um cão com hérnia de disco, e assim instituir o melhor tratamento possível para cada caso, individualmente. Para raças predispostas, como o Dachshund, é de grande importância também avaliar o número de discos com calcificações, mesmo antes do aparecimento de qualquer sinal clínico, uma vez a calcificação aumenta a chance do problema acontecer. Esta avaliação deve ser feita através de um RX de toda a coluna vertebral, com idade mínima de 24 meses do cão.

O problema no Dachshund e a genética

     Dachshund, Teckel, Linguicinha, Cofap, Salsichinha...tudo sinônimo de uma raça que conquistou os brasileiros. Porém, com ele vieram algumas preocupações para os proprietários, como a famosa hérnia de disco. Eles passaram por algumas modificações que a levaram a esta conformação peculiar, de um corpo longo e membros curtos que está associada a um gene no cromossomo 18 canino, o que pode favorecer o aparecimento da hérnia de disco. Segundo literatura, os Dachshund têm de 10 a 12 vezes mais risco de desenvolver a doença do que as demais raças e, cerca de 19 a 24% deles, apresentam sinais da patologia durante a vida.

            O cromossomo 12 nos Dachshund, abriga variações genéticas que afetam o desenvolvimento da calcificação dos discos intervertebrais. O que nas demais raças pode acontecer no decorrer dos anos, com a idade avançada do cão, nos salsichinhas a calcificação dos discos pode ocorrer desde os três meses de idade. Em média, 90% dos Dachshunds poderão apresentar calcificação parcial ou total em vários discos intervertebrais no primeiro ano de idade, por isso a maior probabilidade de acometimento da doença.

           Existe alta hereditariedade para calcificação de disco baseado na relação genitores x  filhotes. Um exemplo é que se ambos os pais tiverem calcificações, 91% da prole também vai apresentar. Agora, se apenas um dos pais tiver , o número de prole afetada cai para 44%. 

            Os valores de herdabilidade das calcificações são altos (entre 50% e 87% dependendo do estudo), demonstrando que a influência da genética sobre o problema é alta.  Sendo assim, o controle da reprodução seria possível selecionando apenas Dachshund com nenhuma ou poucas calcificações de disco. Quanto menos calcificações o animal tiver, menor seu risco para desenvolver a doença, e menos irá passar o problema para sua prole.  

É criador, e gostaria de se informar mais sobre isto? 

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Colaboração: Belissa Cecim, Médica Veterinária (CRMV/RS 17258), cursando especialização em Neurologia (Quallitas).

Formada em Medicina Veterinária pela Uniritter (Laureate International Universities)

 

Para saber mais...

- Invertebral disc disease: Univerity of Prince Island - CIDD database (disponível em http://cidd.discoveryspace.ca/disorder/intervertebral-disk-disease.html) 

- Jensen e cols (2000). Inheritance of disc calcification in the dachshund. Journal of Veterinary Medicine Series A, 47, 6:331-340.(pdf)

Lappalainen e cols (2014). Intervertebral disc disease in Dachshunds radiographically screened for intervertebral disc
calcifications. Acta Veterinaria Scandinavica, 56:89. (pdf)

- Lappalainen e cols (2015). Estimate of heritability and genetic trend of intervertebral disc calcification in Dachshunds in FinlandActa Vet Scand,  57:78. pdf

- Packer e cols (2016). DachsLife 2015: an investigation of lifestyle associations with the risk of intervertebral disc disease in Dachshunds. Canine Genetics and Epidemiology, 3:8. (pdf)